A suspensão da vacina contra a Dengue foi adotada após duas mortes suspeitas registradas

Isabella Fabricio / FONTE: DP

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta segunda-feira (08), durante coletiva, a suspensão temporária da imunização contra a dengue, fabricada pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após três pessoas apresentarem reações graves, com internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), e duas vieram a óbito.

“Não há dados suficientes para estabelecer a relação direta entre as mortes e a vacina. É um sinal de alerta para o sistema de vigilância”, pontuou o ministro. Segundo o Ministério da Saúde, foram aplicadas 500 mil doses, grande parte em profissionais de saúde, e observados 42 episódios de reações severas registradas, possivelmente ligadas à vacina.

“Inclusive reações inesperadas, que não haviam sido observadas durante os 16 estudos clínicos de fase 1 e nos estudos de fase 2 e 3, totalizando 11 mil pessoas vacinadas durante os estudos”, pontuou o ministro. Os números mostram que há uma relação de oito casos de reação para cada 100 mil doses aplicadas.

Quem tomou a vacina nos últimos 21 dias deve fazer um acompanhamento em um unidade de saúde local para observar se haverá ou não reações adversas, entre elas sinais de alerta para dengue.

Segundo o Ministério da Saúde, a descontinuidade é uma ação de precaução para que o órgão, através do Programa Nacional de Imunizações, Anvisa e o Instituto Butantã aprofundem a investigação nesses 42 casos. Serão analisadas reações, fatores de riscos dessas pessoas, além de estudo de caso e controle, transporte logístico e cadeia de frio.

“Temos total confiança na capacidade institucional e científica do Butantã de fazer esses estudos”, afirmou Padilha. A orientação é que os municípios continuem com as vacinas armazenadas.

  • Quem foi imunizado deve ficar atento a sintomas como:
  • Febre
  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Vômitos persistentes
  • Tontura
  • Sangramentos
  • Sonolência intensa
  • Irritabilidade
  • Sinais de desidratação
  • Piora do estado geral 

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Vacinação
A vacinação foi iniciada em janeiro deste ano com estratégia piloto nos municípios de Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape(CE) e na região de Araguaína, no Tocantins, que depois tiveram vacinação ampla, ou seja, para toda a população.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo aplicada em dose única e a primeira totalmente brasileira. A imunização começou no início deste ano com foco nos profissionais de saúde.

De janeiro a 30 de maio, de todas as pessoas vacinadas, 3.703 apresentaram sintomas semelhantes ao da dengue. Entre esses registros, 42 casos apresentaram sinais de alarme. Nestes, os pacientes apresentaram quadros como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos.

Casos Graves

Caso 1
Mulher, de 39 anos, apresentou febre, mialgia e náuseas seis dias após receber a vacina, evoluindo para sintomas de dengue grave, com choque e necessidade de UTI. Recebeu alta.

Caso 2
Mulher, de 48 anos, desenvolveu sintomas de dengue grave, com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após a vacinação. Foi a óbito.

Caso 3
Homem, de 58 anos, iniciou quadro febril cinco dias após a vacinação, evoluindo rapidamente para sintomas de dengue grave, com choque refratário. Foi a óbito.

A pasta reforça que as pessoas que tomaram estão protegidas dos quatro tipos de dengue. Será constituído um comitê permanente para investigar detalhadamente os três casos graves.

“Estamos determinando a descontinuidade temporária, a partir de dados da farmacovigilância. Isso só reforça a postura responsável do Ministério e do programa de imunização. As vacinas são seguras no nosso país e é a melhor estratégia para combater doenças que matam milhares de pessoas”.

Em 2024 morreram 6 mil, em 2025, 1700 pessoas. Esse ano os óbitos totalizam 178.

Categorias: SINFACOPE

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