FONTE: ME (MOVIMENTO ECONÔMICO)

Situada em Goiana, a Hemobrás, terá novo aporte de R$ 50 milhões do Novo PAC em Pernambuco e avança em parcerias com empresas da China e da Suíça

Da Redação ME

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Hemobras

A Hemobrás entrou em uma nova etapa de expansão industrial e tecnológica. O Ministério da Saúde anunciou um pacote de investimentos e parcerias para ampliar a produção de medicamentos de alta complexidade no Brasil, reduzir importações e aumentar a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) de abastecer o mercado com produtos fabricados no país.

Entre as medidas estão um novo investimento de R$ 50 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) na fábrica da estatal em Goiana, na Mata Norte de Pernambuco, acordos de transferência de tecnologia com empresas internacionais e o desenvolvimento da primeira estratégia integralmente nacional de terapia gênica para hemofilias A e B.

Um dos principais movimentos é a aproximação com a chinesa Beijing Tiantan Biological Products, companhia estatal especializada em produtos derivados do plasma. A Hemobrás assinou uma carta de intenções para atualização tecnológica de sua unidade industrial e ampliação da oferta de imunoglobulina humana a 10%.

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Pelo desenho anunciado, a Hemobrás deverá atender 70% da demanda do SUS quando alcançar capacidade de processamento de 700 mil litros de plasma por ano, objetivo previsto para 2033. Os 30% restantes serão fornecidos pela empresa chinesa, que também deverá transferir tecnologia para a estatal brasileira.

A operação utiliza o modelo de compensação tecnológica previsto na Lei nº 15.471/2026 e reforça uma estratégia que vem ganhando espaço na política industrial da saúde: utilizar o poder de compra do SUS para atrair tecnologia e internalizar etapas produtivas hoje concentradas no exterior.

Acordo com Roche mira medicamento para hemofilia

Outra parceria envolve a multinacional suíça Roche. As duas empresas assinaram protocolo de intenções e acordo para estruturar uma proposta de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) do emicizumabe, medicamento utilizado no tratamento profilático da hemofilia A.

Segundo dados do Ministério da Saúde, 12.151 pessoas vivem com hemofilia A no Brasil.

A proposta prevê transferência integral de tecnologia e desenvolvimento de competências produtivas dentro do país. A intenção é ampliar a oferta do medicamento pelo SUS e reduzir os custos e riscos associados à dependência de fornecedores externos.

Hemobrás
Unidade da Hemobrás em Goiana/Foto: divulgação

O produto deverá se somar ao portfólio da Hemobrás, que já distribui o Fator VIII recombinante a partir do complexo industrial instalado em Goiana.

Terapia gênica desenvolvida no Brasil

No campo de pesquisa, a Hemobrás também fechou uma parceria com a FarmaVax, centro de pesquisa e inovação ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), para desenvolver uma estratégia brasileira de terapia gênica destinada ao tratamento das hemofilias A e B.

O projeto receberá mais de R$ 4,9 milhões.

Do total, 52,71% serão aportados diretamente pela Hemobrás, 33,29% virão de recursos não reembolsáveis da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e 14% corresponderão à contrapartida da UFMG e da FarmaVax.

A pesquisa pretende chegar até uma prova de conceito pré-clínica avançada. Caso os resultados sejam bem-sucedidos, Hemobrás e UFMG terão titularidade conjunta das tecnologias desenvolvidas, com preferência da estatal para o licenciamento exclusivo.

O projeto representa uma tentativa de colocar o Brasil em uma área de fronteira da indústria farmacêutica. Terapias gênicas estão entre os tratamentos mais sofisticados e de maior valor agregado do setor de biotecnologia.

Novo laboratório receberá R$ 50 milhões

O pacote anunciado inclui ainda a implantação de um Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento Industrial (PDI) dentro da fábrica de Goiana.

A estrutura receberá R$ 50 milhões do Novo PAC, por meio de integralização de capital prevista ainda para 2026.

O laboratório ocupará uma área de 612 metros quadrados já existente no complexo industrial. Os recursos serão usados na adaptação da área e na compra de equipamentos para cultivo celular, purificação, fracionamento de plasma, preparação de soluções e biologia molecular.

A previsão é de que as obras comecem entre o fim de 2026 e o início de 2027.

O novo investimento se soma aos R$ 850 milhões destinados pelo Novo PAC à expansão da Hemobrás desde 2025.

Desse volume, cerca de R$ 150 milhões estão sendo executados em 2026 para a chamada Fase VII da fábrica, que permitirá a implantação da primeira linha própria de produção de imunoglobulina líquida da empresa.

O projeto envolve 104 equipamentos fabricados especificamente para o complexo industrial. Até agora, 47 foram entregues, 20 estão em fabricação e os demais passam pelas etapas finais de aprovação de projeto.

Plasma nacional vira ativo estratégico

A expansão da Hemobrás depende diretamente da capacidade brasileira de coleta e processamento de plasma, matéria-prima utilizada na fabricação de imunoglobulinas e outros hemoderivados.

Por isso, o Ministério da Saúde anunciou também uma portaria de apoio técnico e financeiro à Hemorrede Nacional, responsável pela coleta, qualificação, processamento e armazenamento do plasma excedente das doações de sangue.

Em 2025, a Hemobrás recolheu 217,7 mil litros de plasma, volume recorde e 8,7% superior ao registrado no ano anterior.

Para ampliar essa cadeia logística, o Novo PAC destinou outros R$ 116 milhões à distribuição de 604 equipamentos destinados à conservação e transporte de plasma para 125 serviços de hemoterapia no país.

No primeiro semestre deste ano, 28 unidades passaram por inspeções de qualificação e requalificação.

Política industrial da saúde

O movimento da Hemobrás ocorre no contexto de uma política do governo federal de fortalecimento do chamado Complexo Econômico-Industrial da Saúde, que busca ampliar a fabricação doméstica de medicamentos, equipamentos e insumos considerados estratégicos.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, aumentar a produção local é uma questão de segurança de abastecimento.

“Nenhum país pode se declarar verdadeiramente soberano sem ter a capacidade de produzir e garantir insumos essenciais para a sua própria população”, afirmou.

Na avaliação da presidente da Hemobrás, Ana Paula Menezes, o aumento da coleta de plasma e da capacidade produtiva deverá permitir à estatal assumir papel cada vez maior no fornecimento de imunoglobulina ao SUS.

Criada em 2004, a Hemobrás tem sede e complexo industrial em Goiana. A empresa foi estruturada para produzir medicamentos derivados do sangue e biofármacos destinados principalmente ao tratamento de hemofilias, imunodeficiências e distúrbios de coagulação.

Com a nova rodada de investimentos, a fábrica pernambucana passa a ocupar espaço ainda mais relevante na estratégia brasileira de reduzir a dependência externa em segmentos de alto valor agregado da indústria farmacêutica.

Categorias: SINFACOPE

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