Estudo aponta que inteligência artificial, experiência, personalização e dados passam a orientar a próxima fase de expansão do setor
FONTE: PANORAMA FARMACÊUTICO
por Adriana Bruno
Depois de movimentar R$ 246,1 bilhões em 2025, com crescimento de 11% em relação ao ano anterior, a indústria farmacêutica brasileira entra em uma nova etapa de desenvolvimento ao integrar ciência, tecnologia, dados, experiência e construção de marca. É o que aponta um estudo inédito da consultoria Troiano.
Responsável por 42% do faturamento do setor na América Latina, o Brasil reúne condições para liderar um modelo de crescimento baseado em inovação, relacionamento e geração de valor ao longo de toda a jornada do paciente.
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Na avaliação da consultoria, cinco pilares deverão orientar as estratégias da indústria nos próximos anos
1. Simplificar a jornada para ampliar adesão
O primeiro desafio será tornar os tratamentos mais simples e convenientes. Formulações práticas, posologias reduzidas, dispositivos intuitivos e serviços digitais deixam de ser diferenciais para se tornarem fatores que influenciam diretamente a adesão terapêutica e os resultados clínicos. “A simplificação aumenta a adesão ao tratamento, melhora os resultados clínicos e fortalece a fidelização”, afirma Cecília Russo Troiano, CEO da consultoria.
2. Integrar saúde, prevenção e bem-estar
A fronteira entre medicamentos, suplementação, alimentação e prevenção torna-se cada vez menos definida. O envelhecimento populacional e a busca por qualidade de vida impulsionam soluções capazes de acompanhar o paciente durante todo o ciclo do cuidado.
“Estamos migrando da lógica do lifespan para o healthspan. Mais importante do que viver mais é viver melhor, preservando autonomia, vitalidade e qualidade de vida por mais tempo”, destaca Cecília.
3. Colocar o paciente no centro da estratégia
O avanço das plataformas digitais, aplicativos, dispositivos vestíveis e serviços conectados transforma a relação entre indústria, profissionais de saúde e consumidores. O paciente assume um papel ativo na gestão da própria saúde, exigindo informação, conveniência e experiências mais integradas.
“Hoje não falamos mais apenas da relação entre médico e farmácia. Existe um ecossistema formado por plataformas, aplicativos, wearables e diferentes fontes de informação. As marcas que quiserem permanecer relevantes precisarão fazer parte desse ecossistema”, diz.
4. Inteligência artificial na personalização de tratamentos
A combinação entre inteligência artificial, análise de dados e avanços da genética acelera a medicina personalizada e amplia a capacidade das empresas de desenvolver soluções adaptadas às características de cada paciente.
5. Transformar dados em vantagem competitiva
O quinto pilar envolve a integração dos diferentes pontos de contato entre médicos, pacientes, farmácias e canais digitais. Estratégias omnichannel passam a gerar inteligência para decisões clínicas, comerciais e de relacionamento, fortalecendo a construção de marca e a fidelização.
A indústria farmacêutica entra em um novo ciclo de crescimento

GLP-1 mostra como os cinco pilares convergem
Poucas categorias representam essa transformação tão claramente quanto os agonistas de GLP-1. Além dos avanços terapêuticos no tratamento da obesidade e do diabetes, o segmento reúne praticamente todos os pilares apontados pela pesquisa.
No Brasil, o potencial desse mercado é estimado em R$ 50 bilhões até 2030, principalmente em função dos investimentos da indústria nacional. Além de Hypera e Cristália, a EMS também solicitou à Anvisa o registro de uma nova semaglutida, ampliando a disputa por um dos segmentos mais promissores da próxima década.
“O mercado está migrando de uma lógica centrada no produto para uma lógica centrada nas pessoas. A inovação continuará sendo essencial, mas precisará vir acompanhada de experiências mais simples, acessíveis e significativas”, conclui Cecília.Leia também:
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