FONTE: PANORAMA FARMACÊUTICO
Total movimentado pelos fármacos comprados no exterior chega a US$ 6,5 bilhões
por César Ferro
Impulsionadas por fatores como a alta demanda por canetas emagrecedoras, lacunas de inovação no mercado local e o envelhecimento da população, as importações de medicamentos cresceram 14,3% entre janeiro e maio, segundo dados levantados pelo Valor Econômico, com base nos códigos NCM fornecidos pelo Grupo FarmaBrasil. No período foram movimentados US$ 6,53 bilhões (cerca de R$ 33,9 bilhões).
O avanço, consideravelmente acima dos 3,2% de alta registrados nos cinco primeiros meses de 2025, é reflexo de uma tendência de crescimento já observada. Do total de importações, os fármacos representaram 5,6%, nível superior aos 5,1% de 2025 e aos 4,9% de 2024. A título de comparação, em 2019, a participação era de 3,9%.
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No consolidado do ano passado, compilado pela entidade, o crescimento também foi substancial. Com US$ 14,2 bilhões (R$ 73,7 bilhões), houve um avanço de 18% em relação a 2024 – sendo que o crescimento de dois dígitos acontece há três anos seguidos.
Para Reginaldo Arcuri, presidente-executivo do Grupo FarmaBrasil, o envelhecimento populacional e a defasagem tecnológica do setor justificam esse avanço. “Há demanda por medicamentos mais avançados para uma população etariamente cada vez mais parecida com a do hemisfério Norte, mas num país que, infelizmente, ainda continua com renda per capita muito baixa”, afirma.
Os dados suportam o argumento do executivo. De acordo com o IBGE, a população com 40 anos ou mais era de cerca de 43,9% no primeiro trimestre deste ano – no mesmo período de 2017, a participação era de 37,1%.
Importação de medicamentos é puxada por campeões de vendas
Uma forma de explicar tal avanço é observar os medicamentos mais vendidos do país. Segundo dados da Close-Up International referentes aos últimos doze meses até maio, esses são os fármacos mais comercializados no Brasil:
- Mounjaro (tirzepatida da Eli Lilly)
- Wegovy (semaglutida da Novo Nordisk)
- Forxiga (dapagliflozina da AstraZeneca)
- Glifage (cloridrato de metformina da Merck)
- Rybelsus (semaglutida da Novo Nordisk)
Da relação, apenas o Glifage conta com fabricação nacional. “Chama a atenção o sell-in do Mounjaro, em cerca de R$ 6 bilhões, o que equivale a R$ 500 milhões por mês”, destaca André Reis, CEO da Repfarma.
Ele também joga luz sobre o ritmo de crescimento da Lilly. A farmacêutica, cujo faturamento saltou de R$ 1 bilhão para R$ 6,8 bilhões em um ano, se aproximou da Eurofarma e, até setembro, pode superar o laboratório nacional, o que pode intensificar o desequilíbrio entre exportações e importações.
“A demanda atual traz oportunidade para a indústria do setor, porque mostra que há mercado para produzir e vender medicamentos mais avançados”, avalia Arcuri.
Medicamentos de alta complexidade também tem protagonismo
Segundo dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a alta das importações também está intimamente ligada a produtos como imunobiológicos, vacinas, terapias biológicas, medicamentos quimioterápicos e produtos biotecnológicos especializados. No primeiro trimestre de 2026, a compra no exterior desses itens representou 34% da alta tecnologia.
Quem mais vende para o Brasil?
Os Estados Unidos concentram a maior parte dos medicamentos importados ao Brasil, com 24% de todo o volume adquirido entre janeiro e maio. Na sequência vem diferentes países europeus, como a Alemanha (15%), Suíça (9%), Irlanda (8%) e Itália (7%).
Exportações não acompanham o ritmo
Se as importações crescem em ritmo acelerado, as vendas para o exterior não contam com um desempenho comparável. De janeiro a maio, foram comercializados US$ 499,2 milhões (R$ 2,5 bilhões) em medicamentos para clientes internacionais, valor em linha com os níveis registrados desde 2017.
Em bases anuais, as vendas externas estão próximas de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) – patamar constante na última década. O déficit da balança comercial dos medicamentos atingiu US$ 13,1 bilhões (R$ 67,7 bilhões) em 2025, após alcançar US$ 11 bilhões (R$ 56,8 bilhões) e US$ 5,9 bilhões (R$ 30,5 bilhões).
“É uma defasagem tecnológica que se expressa em déficit comercial no setor farmacêutico. Como as atividades de inovação no mundo se aceleraram no pós-pandemia, esse problema vai se recolocando de tempos em tempos”, afirma Rafael Cagnin, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).Leia também:
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