FONTE: PANORAMA FARMACÊUTICO

A corrida por vacinas e tratamentos contra a Covid-19 representou mais um empurrão para a indústria global de medicamentos biossimilares, cujo faturamento superou a casa dos US$ 10 bilhões no ano passado. A IQVIA prevê que as cifras subam para US$ 80 bilhões até 2025.

Mas como a América Latina e o Brasil poderiam sobressair nesse mercado potencial, em meio a gargalos no acesso dos pacientes? Para debater as perspectivas da categoria na região, o fórum Biosimilars LatAm – Brazil 2022 reúne gestores clínicos, de inovação e da área regulatória de 12 países, além de 150 líderes da indústria farmacêutica nos próximos dias 24 e 25 de agosto, na capital paulista.

O evento acontecerá em formato híbrido e terá como palco das sessões temáticas o Renaissance São Paulo Hotel. A agenda prevê a participação de dirigentes atuantes na saúde pública, como Meiruze Freitas, diretora da Anvisa; e executivos do Instituto Butantan e da Bio-Manguinhos/Fiocruz.

Já a lista de laboratórios privados presentes ao fórum inclui Bionovis, Libbs, Merck, Pfizer e Sandoz. Especialistas internacionais também colaborarão para os debates, oriundos de mercados como África do Sul, Argentina, Bélgica, Coreia do Sul, Índia e Reino Unido.

O ambiente regulatório dos biossimilares no continente, as inovações tecnológicas e as políticas de parcerias de desenvolvimento produtivo (PDPs) integram a pauta. Para discutir este último tema, inclusive, o fórum terá a presença de Albert Kim, vice-presidente de estratégia comercial da Samsung Bioepis.

A divisão farmacêutica da multinacional coreana de tecnologia, fundada em 2012, vem alçando voos ambiciosos com foco em medicamentos de alta complexidade. Com seis biossimilares disponíveis no mercado, a fabricante teve receita recorde no primeiro semestre – US$ 821 milhões – e planeja erguer até outubro aquela que seria a maior planta farmacêutica do mundo, com 238 mil metros quadrados.

Medicamentos biossimilares engatinham no Brasil

Brasil ainda parece andar na contramão. Dos 32 remédios do gênero já registrados pela Anvisa, 21 receberam aprovação entre 2018 e 2019. Além disso, outros cinco já estão na fila. A agência, inclusive, instituiu a RDC 205 para criar uma fila de prioridade na análise desses medicamentos – especialmente os que atuam no combate a doenças raras. Mas quando o assunto é a incorporação do biossimilar, a frequência é outra.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza apenas cinco biossimilares, voltados para tratamentos oncológicos e doenças reumáticas. E somente dois são produzidos inteiramente no Brasil – o ritumixabe, da Sandoz para casos de artrite reumatoide e linfoma não-Hodgkin; e a somatropina, do Laboratório Cristália, usado no combate ao hipopotuitarismo, uma espécie de deficiência do hormônio do crescimento.

Em 2018, o Ministério da Saúde chegou a formar um grupo de trabalho, responsável por produzir recomendações para uma Política Nacional de Medicamentos Biológicos no âmbito do SUS. O relatório final da comissão saiu do papel em dezembro do mesmo ano, mas as diretrizes ficaram na gaveta.

Fonte: Redação Panorama Farmacêutico

Categorias: SINFACOPE

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