FONTE: PANORAMA FARMACÊUTICO
Mais de 22 mil funcionários foram desligados ao longo do último ano. Essa onda pode chegar ao Brasil?
por Gabriel Noronha
Um levantamento do portal Fierce Pharma, conduzido a partir dos relatórios anuais das principais farmacêuticas atuantes nos Estados Unidos, revela um momento crítico. O setor passa por um série de demissões em massa, que já resultou em mais de 22 mil desligamentos.
De acordo com o estudo, os laboratórios vivem uma espécie de fase de “correção”, adaptando suas operações para enfrentar a sequência de expirações de patentes. A projeção é que o canal farma perca R$ 1,2 trilhão em faturamento nos próximos anos.
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Entre as 17 empresas analisadas, todas com receitas superiores a US$ 20 bilhões (R$ 104,96 bilhões) em 2025, apenas cinco não registraram reduções em seus quadros de funcionários no último ano. O cenário representa um importante contraste quando comparado a 2002, período em que 82,35% dessas corporações ampliaram a força de trabalho.
O movimento representa uma tentativa das farmacêuticas de manter margens de lucro e não parece estar próximo de um fim, considerando que players como Pfizer e MSD mantêm longos programas de reestruturação.
A escala dessas demissões, no entanto, é relativizada em uma análise mais ampla. Entre 2021 e 2025, a média de desligamentos aproxima-se de 12 mil por ano, impulsionada principalmente pela expansão das unidades voltadas às canetas emagrecedoras. Apenas na Eli Lilly e na Novo Nordisk, detentoras das patentes dos principais medicamentos da categoria, mais de 36 mil posições foram criadas desde a explosão de venda desses fármacos.
A Lilly, inclusive, é uma das poucas, ao lado de AstraZeneca e Amgen, a expandir consistentemente seu quadro de colaboradores desde 2021. No último ano, por exemplo, a dona do Mounjaro contratou mais de 3 mil profissionais, enquanto a Amgen recrutou cerca de 3,5 mil.
Onda de demissões em massa pode chegar no Brasil?
Esse fenômeno pode desembarcar no Brasil? Para André Reis, CEO da Repfarma e especialista na indústria farmacêutica, as características do país são bem distintas. “Por aqui, as indústrias nacionais dominam 95% do market share em valores. Além disso, são as principais empregadoras de representantes, que promovem similares aos médicos e viabilizam a venda de genéricos no PDV”, comenta.
Ainda segundo Reis, o movimento de redução de equipes em território nacional foi ostensivo há cerca de 20 anos, quando as multinacionais começaram a se desfazer de linhas de primary care para se dedicarem a classes terapêuticas mais especializadas, como imunologia, oncologia e hospitalar.Leia também:
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