O Lafepe vai implantar novas linhas de produção, receber equipamentos novos e precisar de mais pessoal depois da conclusão da expansão
Ângela Fernanda Belfort / FONTE: ME
De Recife angela.belfort@movimentoeconomico.com.br
O Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe) está concluindo, até o próximo ano, um investimento de R$ 105 milhões – de recursos próprios – e vai receber, fruto de um convênio com o Ministério da Saúde, equipamentos no valor de R$ 250 milhões não reembolsáveis. Ou seja, a expansão da estatal vai empregar R$ 355 milhões, incluindo a implantação de uma nova unidade para produzir novos medicamentos que serão comprados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“A nossa intenção é duplicar a produção a partir do final de 2026. Uma parte dos equipamentos vão entrar em operação em 2025. Todos os equipamentos vão estar em operação até o final do próximo ano”, comenta o diretor comercial do Lafepe, Djalma Dantas. Nos últimos anos, foram produzidos, em média, 220 milhões de unidades. O objetivo é chegar aos 500 milhões de unidades médicas anualmente.
Serão produzidos novos medicamentos para doenças negligenciadas, como por exemplo, a hanseníase. Atualmente, os medicamentos usados no tratamento da doença são importados pelo SUS via doação internacional. “Isso vai ajudar o SUS a ter autonomia no tratamento desta doença”, explica Djalma, acrescentando que, no futuro, “a ideia é produzir medicamentos para outras doenças negligenciadas, como a tuberculose e leishmaniose”. A empresa já fornece, para todo o SUS, o benznidazol, medicamento usado no tratamento de Chagas.
A modernização para implantar a nova linha de produção do remédio da hanseníase custou R$ 4 milhões, bancados pelo próprio laboratório. Segundo Djalma, os equipamentos a serem instalados na nova unidade vão além da produção e envolvem também outras etapas da fabricação como a Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e o controle de qualidade.
Como consequência da atual expansão, o Lafepe vai fabricar novos antirretrovirais – usados para o tratamento de pessoas com HIV -, imunossupressores, usados por pacientes que fazem transplantes; e um medicamento para tratar o vírus da gripe H1N1.
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Ainda de acordo com Djalma, os investimentos foram feitos numa plataforma para acompanhar as mudanças a serem realizadas nos protocolos que definem como devem ser os medicamentos. “Estamos nos preparando para os próximos 30 anos. Com esse investimento, podemos absorver novas moleculas e se atualizar no mercado com foco no SUS”, comenta o diretor.

Concurso para o Lafepe
Djalma lembra que o passo seguinte aos investimentos vai ser a formação de pessoal. O Lafepe vai lançar uma residência em farmácia com 10 vagas. A implantação das novas linhas de produção vão precisar de mais pessoal. “A expectativa é de contratar mais pessoas e que seja realizado um concurso público para contratar mais pessoas”, comenta Djalma. O concurso deve resultar na contratação estimada de 140 pessoas, que vão ser chamadas de acordo com a demanda do laboratório. O Lafepe tem atualmente 700 funcionários.
No ano passado, a estatal registrou um faturamento de R$ 700 milhões. A expectativa é de que o faturamento alcance R$ 1,1 bilhão, por ano, quando todos as linhas de produção previstas na expansão estiverem implantadas.
Fundado em 1965, o Lafepe tem 60 anos, 14 farmácias que revendem os seus medicamentos e uma fábrica de óculos a preços populares, distribuídos gratuitamente a estudantes da rede pública estadual, por meio de parceria com as Secretarias Estaduais de Saúde e Educação.
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